
O Artista não é essa maravilha toda que estão dizendo por aí. Não falo isso só pra criar polêmica ou ser do contra. Fui ao cinema querendo amar o filme, e já amando a ideia de um filme mudo ser o favorito ao Oscar em pleno 2012. Ainda acho uma ideia sensacional. Pena que o roteiro de O Artista não tenha muita coisa a dizer.
O filme fala sobre um astro do cinema mudo que acaba trombando (literalmente) com uma fã afoita. A fã demonstra ter todos os requisitos para ser uma estrela - talento, beleza, carisma - e acaba mesmo virando uma estrela. No entanto, com o advento do cinema falado, a carreira dela sobe loucamente enquanto a dele chega ao fundo do poço. Basicamente, o filme é isso.
É um fiapo de história. O filme teria que ser cheio de charme (uma coisa Guilherme Arantes) para realmente ser sensacional. Infelizmente, o charme está quase todo concentrado na primeira parte, onde os dois artistas protagonizam cenas maravilhosas - como o baile de pernas. A partir da decadência do astro, o filme perde fôlego.

E se é para falar das dificuldades enfrentadas pelos astros do cinema mudo nesse momento da história, dois outros filmes falaram do assunto de modo muito melhor - Crepúsculo dos Deuses e Cantando na Chuva. Ok, provavelmente é injusto comparar um filme mudo com duas obras que utilizam diálogos/canções de forma fenomenal. Mas, para mim, O Artista ficou parecendo mais um experimento do que um grande filme. É um filme mudo feito para espectadores que nunca assistiram um filme mudo. Quase não há ousadias estéticas, o que é um pecado.
Mas é até estranho falar mal de um filme tão doce. Jean Dujardin e Bérénice Bejo estão espetaculares. E tem UGGIE! Uggie é o cachorro, e ele dispensa comentários. A trilha é ótima, fotografia idem. Mas melhor filme do ano? De forma alguma. Como diz um amigo meu, O Artista é fofolete ponto.

